Em justificativa para alta de juros, BC diz que piora da economia não será tão profunda

Em justificativa para alta de juros, BC diz que piora da economia não será tão profunda

O Copom indicou ainda que na próxima reunião, em maio, elevará a taxa básica novamente em 0,75 ponto – Foto: Marcello Casal Jr

Para justificar a alta de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), acima das expectativas do mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central afirmou que a possível piora da economia com o agravamento recente da pandemia de Covid-19 seria “bem menos profunda” do que no ano passado, quando o vírus chegou ao país.

Além disso, a autoridade monetária avaliou, na ata da reunião divulgada nesta terça-feira (23), que a queda seria seguida de recuperação rápida.

“O Comitê avaliou que uma possível reversão econômica devido ao agravamento da pandemia seria bem menos profunda do que a observada no ano passado, e provavelmente seria seguida por outra recuperação rápida”, traz o texto.

Na última quarta-feira (17), o BC surpreendeu o mercado ao elevar a Selic a 2,75% ao ano, primeira alta em quase seis anos. Antes da reunião, a maior parte dos economistas apostavam em 0,5 ponto percentual.

O Copom indicou ainda que na próxima reunião, em maio, elevará a taxa básica novamente em 0,75 ponto.

Desde agosto, os juros estavam no menor patamar da história, a 2% ao ano, como resposta à crise gerada pela chegada do vírus ao país.

Alguns economistas criticaram a decisão porque o Copom não teria levado em consideração o aumento no número de casos e mortes por Covid-19 e os efeitos disso na economia. A elevação dos juros, apesar de ter o objetivo de controlar a inflação, pode ter efeitos negativos na atividade.

Para o Comitê, com o avanço da vacinação, o segundo semestre do ano pode mostrar uma retomada robusta da atividade.

O BC considerou também que, “a despeito da redução parcial dos programas governamentais de recomposição de renda, a retomada econômica surpreendeu positivamente” e que o ritmo de crescimento econômico ter seguido até fevereiro, quando começaram novas medidas de restrição para conter a transmissão do vírus.

A autoridade monetária, contudo, reconheceu que os últimos dados disponíveis ainda não contemplam os possíveis efeitos do recente e agudo aumento no número de casos de Covid-19, e que “assim há bastante incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia no primeiro e segundo trimestres deste ano”.

O documento também usou como justificativa para a alta de juros a escalada de preços e as expectativas do mercado para o indicador em 2021 e 2022. O texto da decisão, no entanto, manteve a avaliação de que o choque na inflação é temporário, mas reconhece que foi mais persistente que o esperado.

“Além do ritmo forte de crescimento dos últimos meses, com consequente redução da ociosidade econômica, houve uma reversão das expectativas de inflação, que passaram a se situar na parte superior do intervalo de tolerância da meta para o ano de 2021 e ao redor da meta para o ano de 2022, os dois anos-calendário do horizonte relevante de política monetária”, diz a ata.

Na visão do BC, o preço das commodities, com a alta do dólar, impactou a inflação especialmente dos combustíveis. O texto pondera ainda que a demora na normalização das cadeias produtivas pressionaram custos de produção e geraram inflação em setores específicos, o que sugere que “há também um choque positivo de demanda [maior consumo] atuando”.

Os membros do Copom justificaram que as pressões inflacionárias deste ano podem contaminar 2022.

“O Comitê apontou que, apesar do diagnóstico de que os choques atuais são temporários, o modelo de metas prevalente no país considera a inflação cheia no ano-calendário. Todos esses fatores contribuíram para uma postura mais assertiva na condução da política monetária”, diz o documento.

Sobre a próxima reunião, o BC indicou que fará nova elevação na mesma magnitude, mas ressaltou que a decisão “pode ser alterada caso haja uma mudança significativa nas projeções de inflação ou balanço de riscos, já que em última instância a decisão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação”.

Fonte: Folha PE

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